sexta-feira, junho 24

“At least you’ll never be a vegetable … even artichokes have hearts.”

Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (2001)

segunda-feira, fevereiro 21

Jakob Dylan - Something Good This Way Comes (Cities 97)

longos cílios piscam, uma boca se move grave e as linhas de expressão marcam um rosto forte que proclama em voz calmante. é quando vozes antigas são chamadas a uma conversa de amor sem fim. um dia ganho e antigas memórias quentinhas confortam um timo esquecido, como se vestisse um casaco felpudo essa energia bem no centro do peito. e tudo fica confortável aqui dentro.

terça-feira, fevereiro 1

por que dizem paranóica? bem capaz. sossego, até que as britadeiras tirem sua paz. das 9 às 12 e das 13 às 19. travesseiros podem ajudar nessa hora, mas é melhor acostumar do que abafar o som. melhor sair? assim que possível.

quinta-feira, novembro 11

inspiração sem rumo, assim, faz mal. Inspiração de rosto proibido. E peso na consciência pelas más palavras pronunciadas na tarde de hoje para ele. Quantos habitam aqui? Um rosto proibido, um peso na consciência, uma lembrança de cílios longos. Três habitam um lugar por aqui que nunca sei como pisar. Três tempos.

terça-feira, outubro 5

reprogramação de cérebro. Ela anda as vezes de um tipo, outras de outro. Anda de lado, de frente, às vezes de lua. Dá risada em excesso ou deixa os dentes cerrados e só percebe quando começa a doer o maxilar. Está tensa. Admite. Então solta o maxilar com movimentos circulares dos labios, desencontrando-os repetidamente.

às vezes tem formigas andando em sua mente e pede para elas pararem. Mas formigas nunca param. Então queima todas de forma imaginária, porque imaginárias também são as formigas que andam em sua mente. Quando não consegue queimá-las, dorme para ver se as sufoca. As vezes funciona, as vezes acorda com dor de cabeça. E outras, acorda cheia de emoção sem rumo. Já sentiu muito mais emoção na vida, e agora quando sente, não sabe o que fazer, como agir ou pra onde direcionar. Na cidade, parece que sua emoção não combina, não importa, não se realiza.

mas tem dias que resolve passar batom vermelho. Dias não. Noites. Porque acha que batom vermelho não serve pra andar de ônibus em dia de semana. Por isso em dias de semana se apaga. Aliás, anda apagada até em dias de sábado.

reprogramação do cérebro para acender quem é e o que funciona lá dentro dela. Retorno a si custoso. Se soubesse, teria tomado mais cuidado antes de sair se entregando a um tipo específico de homem com sal na pele. Se soubesse, talvez tivesse feito tudo igual, mas consciente. E assim, não precisaria agora estar no caminho custoso de reencontrar em si o que acende. Sabe-se chata, e tem medo de nunca mais encontrar o acesso, mesmo após reprogramar o cérebro.

quanto ao batom vermelho, fica feliz em passar, mesmo assim. Reserva-o para os dias em que se sente bem. Mesmo que só um pouquinho, ontem passou.

quarta-feira, setembro 29

Sem poder esparramar toda a estranha sensação de esgotamento misturada aos espasmos de indignação, pediu para dar uma morridinha. Não sabia direito quanto tempo. Um dia ou dois. Provavelmente fosse ineficiente, mas com a certeza de que esse pouquinho já ajudaria, e mesmo com medo de não ser possível mais levantar, como julgou Romeu ao ver ela lá deitada, branca e esquálida, quis dar a morridinha mesmo assim. Continuou sentada, olhos abertos/ouvidos de penico, porque não conseguiu. Vivo ali ficou seu corpo cansado. Vivo ali ficou seu cérebro inchado. Vivo ali ficou um coração que bate de lado.