quinta-feira, setembro 18
É impressionante a dor que se pode sentir sem ao menos um foco definido do doer. Uma dor espalhada, que não dói no corpo, mas toma o corpo inteiro. É impressionante como é possível contar a vida em sacos de lixo. “Minha vida cabe em 50 sacos de lixo”, poderiam dizer, se houvesse coragem para admitir que não se tratava apenas de uma mudança sem caixas. Impressionante ainda como pessoas somem num estalo de mágica, deixando sequer micro estrelinhas ao alcance da visão como nos desenhos animados. Impressionante como dor causa espanto, que causa pensamentos, que ocasionam frases, que formam textos, nem sempre com nexo, nem sempre com nomes.
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