terça-feira, setembro 30

Lá pelas tantas, percebe-se um quê de bocó num ser outrora amado. As tentativas de conquista já lhe parecem tão baratas. Ela tem certa compaixão e prefere deixar de lado a palavra “vulgar”. Seria demais cruel com aquele que um dia julgou ser seu grande amor. Por consideração às lembranças, resolveu fazer de conta que não pensou nisso. Jogou com ironia e divertiu-se ao vê-lo concordar. Concordaria com tudo que ela quisesse.

Mesmo usando os truques artísticos um dia ensinados por ele, sentia-se mal em alguns momentos e tinha vontade de levantar e sair porta afora daquele restaurante finamente paulistano. Sair assim, sem nem uma expressão facial diferenciada. Sairia com a mesma cara que entrou, como se tivesse almoçado sozinha, esquecido de pagar a conta e nenhum garçom chegasse esbaforido para cobrá-la enquanto andava pela calçada.

Talvez nunca tenha sido aquele que habita suas lembranças. Mesmo que ele tenha concordado em ser um de seus dois maridos, ela volta para casa com a certeza de que não teria paciência com alguém que fizesse concorrência aos seus dramas espetaculares. Gosta de ser a única dramática da relação. Continua a mesma de oito anos atrás.

3 comentários:

lygia roncel disse...

ah, entendi.

Unknown disse...

"quê de bocó" é ótimo!
só pra você ter certeza de que eu passo por aqui.
ahhaha

bjo!

FF disse...

Começei um blog também... Vê se me reconhece.