segunda-feira, setembro 15

Parei pra pensar. Minha vida é menos inspiradora hoje? A julgar pelos meus escritos, assim parece. Uma vez era a vida, cenas, histórias, fantasias, amores platonicamente correspondidos. Hoje são ativos, valores agregados, estratégias, gestão, precatórios, CVM e empresas abertas. Não! Não se engane. Antes fossem empresas abertas em mentalidade. Os textos tratam do capital. Nesse mundo tão fechado. Num mundo de figurantes que perambulam pelas ruas da cidade que eu escolhi ao não querer, na contramão dos fatos, que esmagam e estão sempre sobre minhas vontades traidoras. Passam as pessoas sob a marquise que segura os pés da cadeira que agüenta o peso do meu corpo com o computador no colo. E as teclas barulham o dia todo. Mas nada daquilo toma corpo no papel virtualmente branquinho. Uma página, duas, cinco, 25 mil caracteres de ações em bolsa. E as idéias pulsam... pulsam... pulsam. As idéias cansam de pulsar e se entregam finalmente. Parei de pensar.

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