Com a memória parecendo um petit-gateau, via as boas lembraças, aquelas que a mantinham com o coração quentinho, escorrerem. Tentava cercá-las, mas não conseguia estancar aquele rio, que via indo embora de sua alma sem qualquer possibilidade de impedir. Até o dia que não mais lembrou com quem se casou, quantos filhos teve, os netos que nasceram, os amigos dos quais sentiu saudades, as traições que doeram, os amorem que arderam, as paixões que se apagaram, e as dores que sentiu quando perdeu cada um que amava ou cada pedaço de sua pura personalidade, moldada às necessidades, às contas e aos relacionamentos. Voltou a ser ninguém, porque nada guarda dentro de si. E finalmente libertou-se da expectativa alheia. Aliviou-se.
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Um comentário:
Na minha livre interpretação sobreponho ao ponto final: pronta para recomeçar.
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