A culpa lhe dói no cangote. Uma culpa que não é sua, mas que lhe acompanhou durante dois anos e, depois de passada, dia ou outro ainda volta para embolar seus nervos na linha que vai do pescoço ao ombro. A nuca, tão interessada em arrepios de cheiros e chamegos, acaba por empedrar-se quando lhe sobra a injustiça como assombração de velhos dias. Ergue os cabelos em coque para deixar livre a passagem de narizes e bocas, como que um pedido velado aos meninos mais sensíveis às atitudes femininas daquelas que se fazem de indiferentes. Fácil assim a um convite qualquer, só quer se divertir, enquanto eles complicam sua vida com jogos e culpas. Quantos atravanques a mantêm desassossegada. Insatisfação constante por não ver perdurar seus prazeres ao longo de todas as horas.
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Um comentário:
"Insatisfação constante por não ver perdurar seus prazeres ao longo de todas as horas".
Lindo! Tradução perfeita dos sentimentos (de todos nos) às palavras.
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