segunda-feira, maio 24

piano, baby... pianíssimo. fala docemente comigo, e terás tuas pétalas e minhas vértebras de volta. mas sê presto, prestíssimo, porque no adagio me perco. E se vem um outro em andantino, não chores depois as valsas passadas e as notas perdidas em claves erradas. Partituras vazias aqui dentro, nunca mais. Note que a breve quase não existe mais, e encaixe teu compasso nos meus três tempos contados allegro. Se estás rallentando, só tu. Eu mantenho meu tempo rubato, e pouca importa se não entendes quem sou. Notas ao alto, porque quero dançar e rir de qualquer movimento proferindo sons de acordes dissonantes em uma vida cuidadosamente desafinada. Contando que me mantenha o andamento, desafinar só traz graça às minhas valsas delirantes. Porque ser livre é tocar como manda a própria intensidade, mesmo que não inspire aplausos nos ouvidos que, por acaso, estiveram atentos.

Fim!

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