Criam confusões de palavras desencaixadas. Eles discordam. Discordam. Só encaixam no silêncio enquanto passam as mãos por entre fios de cabelos. Ora cachinhos, ora retos. O amor é silêncio. Não existe no falar, não é palavra, não tem definição, não é contrato de voz, de secreções íntimas ou de papel. Ela evita a palavra amor diante dele porque sabe que a interpretação não será aquela que quer. Ele, tão sensível. Chora e acha bonito qualquer defeito do mundo, mas não crê no amor. Consciente e orgulhoso da tão exaltada postura passional, confunde-o com relacionamento. Não acha que amor existe sem a pessoa amada ao redor. Não acha que amor é inesgotável e cumulativo. Não acha que amor só faz bem a quem o detém. Não entende que, ao objeto amado, no máximo, é um bem ao ego, uma auto-estima trabalhada em massagens calmantes que iludem o buraco negro entre os dois lados do peito.
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Meu bem, entenda. O amor só diz respeito ao timo pessoal, e nada mais. Meu casinho, não se defenda só porque não entende o que te digo sobre o amor. Meu benzinho, não se feche em casulo, querendo transparecer uma modernidade que nem combina com você. Somos antiquados. E só deveríamos ficar quietos. Porque é no silêncio que o amor acontece sem interferências. E não... não confunda amor com relacionamento para que não precisemos, obrigatoriamente, experimentar o término deste encontro de corpos que nem combinam tanto assim. Mas além, de essências tão gostosas como as nossas. Para que possamos continuar convencidos em nosso canto branco, onde a janela dá para um mar imaginário, do qual sinto até o cheiro nas tardes de maresia.
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