terça-feira, outubro 5

reprogramação de cérebro. Ela anda as vezes de um tipo, outras de outro. Anda de lado, de frente, às vezes de lua. Dá risada em excesso ou deixa os dentes cerrados e só percebe quando começa a doer o maxilar. Está tensa. Admite. Então solta o maxilar com movimentos circulares dos labios, desencontrando-os repetidamente.

às vezes tem formigas andando em sua mente e pede para elas pararem. Mas formigas nunca param. Então queima todas de forma imaginária, porque imaginárias também são as formigas que andam em sua mente. Quando não consegue queimá-las, dorme para ver se as sufoca. As vezes funciona, as vezes acorda com dor de cabeça. E outras, acorda cheia de emoção sem rumo. Já sentiu muito mais emoção na vida, e agora quando sente, não sabe o que fazer, como agir ou pra onde direcionar. Na cidade, parece que sua emoção não combina, não importa, não se realiza.

mas tem dias que resolve passar batom vermelho. Dias não. Noites. Porque acha que batom vermelho não serve pra andar de ônibus em dia de semana. Por isso em dias de semana se apaga. Aliás, anda apagada até em dias de sábado.

reprogramação do cérebro para acender quem é e o que funciona lá dentro dela. Retorno a si custoso. Se soubesse, teria tomado mais cuidado antes de sair se entregando a um tipo específico de homem com sal na pele. Se soubesse, talvez tivesse feito tudo igual, mas consciente. E assim, não precisaria agora estar no caminho custoso de reencontrar em si o que acende. Sabe-se chata, e tem medo de nunca mais encontrar o acesso, mesmo após reprogramar o cérebro.

quanto ao batom vermelho, fica feliz em passar, mesmo assim. Reserva-o para os dias em que se sente bem. Mesmo que só um pouquinho, ontem passou.

Nenhum comentário: